Não consigo saber o que de fato, quero escrever. Apenas, sei do contato. Aliás, a necessidade deste. Preciso de alguma forma livrar-me. Mas, merda, como é constrangedor perceber com tanta luz, que não consigo me dar urgência. Como não consigo, me dar importância. Porra, onde estou? Imagino-me, como uma pessoa que precisa virar cinzas, e simplesmente não consegue se queimar. Ora, as palavras deveriam ser, não o fim, mas o fósforo. Sim, porque quando falo aqui, estou apenas criando faíscas, e depois pego fogo. O que faço com você, que me lê, é apenas pedir atrito. No entanto, como fazer isso, se não consigo entrar em contato com o que sinto? Quando penso estar perto. Sou sequestrado, de mim mesmo. De um lado ou de outro, há convites para trilhas, sem música. Neste silêncio, há o medo de mexer-me. Entretanto, mesmo assim me balanço, afundo e me percebo em uma areia movediça. Porra, estou me perdendo cada vez mais dessa fagulha e, caralho... Preciso de você! Sim, preciso. Ufa! Conseguir dizer... Acho que estou melhorando, consigo respirar um pouco melhor. Calma, está passando a sensação de violência comigo... Pois é, não sou bom de pedir socorro, tenho vergonha. Sempre acho que posso conseguir ir sozinho, assim aprendi. Belo aprendizado, para não sair do lugar, eu sei. Ei, mas, não posso me perder novamente. Olhe, hoje, me ajuda, por favor! Como? Traga apenas o seu coração ao me ler.
O que não entendeu? Não preciso que você me explique o que está acontecendo comigo, apenas quero seu coração aberto. Se não conseguir falar, apenas me abrace. Não preciso de palavras. Meu desespero é para ter o seu toque. Sabe por quê? Penso em você, leitor (a), não como uma pessoa a me encontrar. E sim, como uma pessoa a me assassinar, antes de eu cometer qualquer delito. Forte? Talvez, contudo não deixo de sentir a ti, como um carrasco que antes de ter razão para me abafar, tem a toda. Pois, nem me dou força para afastar-me do que acho que sou, para lhe tocar. Não sou suicida.
Onde estamos quando... aqui e agora? Tudo bem, tudo bem. Há uma necessidade nesse medo, é fato. Posso inclusive, ser elogiado por isso, sem dúvidas. Basta, não ficar apenas parado. Ou pelo menos, posso iludir-me com o movimento. Nem que seja de palavras, jogadas. Na verdade, impossível. Palavras jogadas, ainda são perigosas para nós. Para compensar a minha falta de movimento, posso montar um quebra-cabeça. Sim, posso colocar cada frase minha, em um sistema! E agora, então irá olhar para mim? Poxa, você irá olhar para mim! Era na verdade, o que queria. Um olhar seu! Não importa se pra isso, tiver que abortar o que estava por vir. Aceito as regras. Mas, você irá olhar para mim, não vai?! O que, não só? Irá comentar, se aproximar do que eu disse? Poxa! Que importa agora, se entre nós há um abismo. Relevante mesmo é a minha capacidade de manejar sistemas. Isto fará com que eu e você, sejamos pessoas. Não podemos abrir mão disso.
Mas, ah, o olhar... Este me da um reconhecimento, que ainda há em mim, algo de humano. Obrigado! Se não vai haver contato, que seja. Por mais que para você, aproximar-se de mim, seja com a condição de não me tocar, e vice versa. Sem problemas, posso permanecer-me perdido, dentro do que eu sinto. Olha, vou lhe assumir, revendo melhor tudo isso. Quero lhe fazer um pedido. Aliás, apenas reforçar algo que já fazemos. Enfim, mantenha-me sempre, como uma pessoa a ter algo a colocar para fora, e não consiga. Preciso permanecer, eu mesmo! Veja bem, esta é a condição, para ficarmos juntos! Começo a achar que isso é realmente uma prova de que gosta de mim, ou será amor? Pois, não nos ameaçamos! Nem a nós, e nem a ninguém. Isso sim, é cuidado! Sou, enfim, feliz por ter você do meu lado. Gostaria que nunca mais ficasse longe de mim, mesmo nunca estando, de fato, perto.
Eu sei, sei que não vale falar de mim. Aliás, até vale, desde que não seja algo muito meu, e se assim for, permito que me analise. Você não merece se afetar por mim, defenda-se. Porém, não deixe de me explicar o que está acontecendo comigo. Claro, quanto mais se afastar, melhor! Eu sei que é para o meu bem. Para que me entenda, ora, preciso sempre estar a par de quem eu sou, para ser uma pessoa melhor. Acho que na verdade, o que tinha a dizer no início era besteira. Já deve ter em algum livro um conceito para aquilo. Poxa, como ainda preciso ler para amadurecer! Preciso dar razão a todas essas coisas. Meu deus, como estou longe de ser de fato uma pessoa! Bom, estou com um pouco de vergonha ainda, mas tem algum texto a indicar? Ah, perfeitamente, preciso buscar uma analise também. De verdade, vou! Vou cuidar de mim sim, olhando para a parede, e de costas para quem me escuta.
Postado por Leonardo Aguiar, 14 de abril de 2012